|
Laisle Entertainment
Percebemos o espaço urbano, como lugar de confronto, de ameaça, abandono, luta pela sobrevivência e entretenimento, como um lugar de transito e passagem dentro de uma sociedade.
Através dos trabalhos apresentados temos uma mostra significativa para começarmos a refletir sobre todas essas ambigüidades presentes nas grandes cidades, e sobre a influencia massiva da mídia, que a todo momento cria novos ídolos e novos objetos de alegria, como uma constante enxurrada de alienação e euforia coletiva, do outro lado todo o desenvolvimento econômico, cientifico e tecnológico convivendo com demandas sociais negociações entre trabalhador e empresa, assim como desemprego correndo lado a lado com confrontos religiosos, abuso de sistemas de segurança, disputas territoriais, como zonas complexas de entendimento, como se a hiper comunicação dos meios informativos convivesse com a grande alienação das massas (escapismo), falar então de beleza e poética em meio a essa realidades paralelas, poderia parecer ingênuo, mas a necessidade de continuar procurando novas referencias em imagem e percepção poética se transmuta a cada década, seria também uma necessidade e um desafio, como uma continua expansão da percepção e tentativa do desenvolvimento do que entendemos como consciência.
Mesmo em meio a essa constante transição de identidade em que nos encontramos, e a constante disputa entre instituição e individuo, onde o individuo se vê impotente na maioria das vezes, condenado a desenvolver a doçura como forma de adaptação e sobrevivência.
A arte não pertenceria ao mundo linear/sistemático como coloca Artaud, mas a urgência e necessidade de um dialogo do ser no mundo, numa busca constante de confronto e reavaliação, uma forma de alimento, um espaço sempre aberto mesmo que utópico, mas ainda assim um espaço de lutas de conceitos e mudanças de percepção, um território nômade.
Parte da curadoria é dedicada não exatamente ao espaço urbano, mas sim sobre a instrumentação deste, vídeos feitos com procedimentos que constroem a nossa sociedade da informação, informação processada e re-processada. Informação em diversos layers. Os vídeos falam dessa sociedade com os mesmos tipos de recurso que estas usam, se apropriando do próprio “modus operandi” desta. Outro fator importante é a analise da mídia de massa, que é outro elemento que une a sociedade e lhe preenche de valores super estruturais, é o autentico substituo da religião, nutrindo a sociedade com valores desejáveis, para a continuidade da mesma. O vídeo arte entra aí como uma espécie de antídoto à leitura esperada e pacificadora da tv e outros meios de informação. Assim essa coleção tenta não só falar sobre o “ponto crítico” mas também usar parte das suas estratégias e elementos estéticos. Re-significar suas fantasias e sua produção simbólica.
O nome “index generator”, tirado de um vídeo dessa curadoria, para nós implica justamente nessa capacidade que o capitalismo contemporâneo tem de gerar discursos ininterruptamente, de forma que nos parece quase aleatória e massiva.
|