LA ISLE

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2 de junho - laisle videononstop - 2007 - 03


Laisle videoNONstop


Nesta mostra exibimos vídeos dos seguintes paises: EUA , Espanha , França , Suíça, Escócia, Japão, Brasil, Romênia, Argentina, Holanda, Alemanha e Israel.


Foram observados cinco aspectos presentes nos vídeos apresentados e decidimos comentar os vídeos a partir desses aspectos: a paisagem, o auto-retrato, o questionamento da mídia, a animação e a poética criada pelas narrativas, e o uso de texto ou música.

Um aspecto, a busca da representação da paisagem, é um tema recorrente e muito significativo da relação direta com a pintura e a fotografia. Graças à busca da contemplação da imagem, vemos o trabalho de Nelton Pellenz, abrindo com um plano progressivo seu vídeo, que exibe no fim uma paisagem; ele discute a própria forma de trabalhar com a mídia do vídeo, ou seja, a mecânica da imagem, e faz um paralelo com a linguagem fotográfica. O vídeo Mini certeza 1 de Dirnei Prates, também recorre à paisagem, trabalha a abstração desta imagem com a simples cena de um corpo no rio se banhando.


O vídeo de Joacélio Batista Se me queimo no fogo do desejo, por que meus olhos ardem na água? Há no vídeo uma indagação técnica da imagem, ao inserir uma técnica de animação, e também questões com a paisagem e uma narrativa abstrata.


Andrés Senra trabalha também a paisagem construída artificialmente, gerando morbidez e poética, recoloca como sempre a visão artificial do sublime, com uma parodia de narciso.


Overdrive de Gerben Kruk, revela também a linguagem da paisagem e explora a mecânica do vídeo como questionamento da mídia simultaneamente.


Fernando Alexim exibe paisagens que giram em torno de brinquedos urbanos, aspectos lúdicos de uma cidade e de um cotidiano, cenas que passam despercebidas ao passante ocupado consigo próprio.

E por fim sobre essa questão da paisagem temos Antonella Kurzen, num vídeo único, que sugere um universo de ternura e sonho, a busca de um estado do belo.


O segundo aspecto, por nós examinado, o auto retrato, temos o vídeo de Fernando de La Rocque, que usa seu rosto quase como uma charge, gerando uma perspectiva mística da personalidade de um guru que supostamente alcança com ironia uma iluminação.


No vídeo de Alex Hetherington, vemos uma cantora, um palhaço e uma câmera, gerando ruídos de significado, os quais espelham a imagem descaracterizada do artista, além da câmera que supostamente vê o rosto do espectador.


Keren Golan retrata seu rosto ingerindo a sua própria língua, trazendo uma imagem de sacrifício, extremamente violenta num tom mórbido.


No aspecto animação, Thorsten da Alemanha exibe imagens de raios, a pulsação da energia, que nos mostra relações diretas com a química e com a física.


Marcos Paulo Rolla faz uma animação que aborda o consumo desenfreado, e apresenta o manuseio de uma revista com todo fetiche produzido para a venda.


Mihai Grecu cria, uma ficção narrativa, numa poética surpreendente, com áurea mística, e que conversa diretamente com animação em 3D e computação gráfica para gerar uma ficção angustiante.

Carlo Sansolo trabalha com animação em 3D com efeitos bidimensionais criando um ambiente diferenciado, e tem uma narrativa que gera estranhamento com a linearidade do texto.

Augustine Gimel trabalha no vídeo Ballet mecânique animação sobre a paisagem.


O vídeo Suicide loop de Sabine Gruffat traz um mar estilizado em 3D, onde cada aspecto da formação das águas foi linkado com o som da musica, proporcionando uma contemplação que cria o artificial para o natural.


Leonardo Galvão cria, em Masturba dog, um ambiente em que vídeos baixados para o seu PC se superpõem, gerando uma seqüência fragmentada de imagens, que sugerem uma narrativa e questionam a própria mídia, capturando imagens projetadas aleatoriamente na web.


Sob uma perspectiva poética com texto e imagem, vemos o Vídeo monkey Bandung Mix de Akiko Nakamura, que traz a paisagem urbana, no seu deslocamento e temporalidade, mas, ainda assim, este vídeo evoca uma narrativa, feita aliás, de muitos microvídeos, produzidos em diversas ocasiões, e editados em diferentes versões.


O vídeo de Marcello Mercado é sobre a animalidade e os insetos, ou seja, sobre outras formas de vida predatória, que poderiam passar como imperceptíveis; ele constrói então uma poética em torno desse mundo paralelo ao humano, que tendemos a ignorar.


Em Sejamos todos bonzinhos, Érika Fraenkel cria um texto em que descreve a metáfora do objeto, brincando com o universo das imagens.


Os aspectos citados nos vídeos não estão dispostos por uma classificação, mas apenas por uma observação da linguagem, gerada pelos artistas, que muitas vezes se inter-relacionam entre esses aspectos apresentados. Entendemos os cinco aspectos citados como facilitadores de apreensão das linguagens exibidas e selecionadas.

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O Laisle vem acompanhando trabalhos de diversos artistas de vários países. Esta é a 41ª edição da mostra depois de oito exibições internacionais e 33 exibições nacionais em diversos Estados. Seus idealizadores, Erika Fraenkel e Carlo Sansolo, estão envolvidos no processo de desenvolvimento de uma linguagem própria de vídeo, além de exibi-los também em festivais internacionais.