LA ISLE

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TEXTOS - Artes pláticas

Zona Franca

14:53 18/06/2002

por Aimberê César

Quem olhava aquela portinha, no fundo daquele corredor escuro, no meio da Fundição vazia, não supunha o que acontecia depois daquele semáforo.

"-Zona Franca, evento multimídia, toda segunda-feira, aquí no espaço disposição, Fundição Progresso... - Zona Franca, o evento sem começo e sem fim...", dizia o locutor. Marteladas, fogo, água, terra e jatos de arte davam continuidade ao evento.

Durante 1 ano, com o auxílio e a participação de mais de 200 artistas, criamos um imenso laboratório, um grande caldeirão de experiências e trocas nos mais diversos níveis de criação na arte contemporânea.

A "Zona" criou sua própria história, ela tinha vida, respirava sozinha, surpreendia a todos nós com seu temperamento imprevisível e instável.

- "Finalmente um evento multimídia, de vanguarda e semanal, no Rio de Janeiro!" - Era assim o Zona Franca.

Artes plásticas, vídeo, música, dança, cinema, poesia, performance, fotografia, teatro, artes circenses, arte digital, etc., tudo isso, cercado por um ambiente super descontraído, com vista para os Arcos da Lapa e repleto de artistas por todos os lados, conversas, articulações, paqueras, entre cervejas e cigarros. Às vezes até o tédio nos visitada, mas não dava pra marcar bobeira por que, de repente, alguém podia estar literalmente desconstruindo o espaço.

Foi assim o Zona Franca: - um exercício de anarquia orgânica, uma escola de arte, uma harmonia dinâmica.

Acabou porque fez o que tinha que fazer, mostrou o que tinha que mostrar, fecundou o que tinha que fecundar.

A ruptura da Zona representa uma abertura de fronteiras para uma arte mais democrática.

- "Zona Franca - um up grade no underground"