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por Andréa Tavares
S/ título 1
pessoas
em casa
tirando os sapatos
espaço em comum
a distância por cima da mesa
sem graça
amanhã de novo nada
s/ título 2
você vive para poucos divertimentos
você vive para pequenos divertimentos
escadas rolantes
camisetas
manchas no chão
desconhecidos
você vive com aborrecimentos
você vive de aborrecimentos
multidões
estranhos
mais de vinte horas
imagens sem valor
você vive para alguma musica
depois para o café
sem voz
por quê tanta imagem no mundo?
por quê tanto mundo?
por quê tantos olhos?
por quê tanto olhar?
por quê tanta imagem no mundo?
por quê tanto?
a imagem do mundo me toma no inflável com que o menino brinca no ônibus, na luz nítida da paisagem de uma cidade pesada
Ainda Ofélia, se bem que Bovary pudesse ser Casmurro
Quando nasci um anjo torto disse:
Seu funeral será por nós celebrado com toda pompa que nos é permitida. O gênero de sua morte é duvidoso, segundo aquele que detêm autoridade suprema sobre todos os reinos ela deve habitar uma terra profana até que venha o som da trombeta fatal. E que preces caridosas, fragmentos suaves, pedras e flores sejam jogadas em sua tumba, decorando seus lençóis. Sejam-lhe dadas todas as honras dos ritos sagrados.
Mais tarde aconteceu que despedindo-me sem uma última carícia digo:
- Até amanhã.
E ele lúcido:
- Que imbecil eu sou! Fazendo juramentos impossíveis. Não importa, ela é uma amante estúpida.
E assim, toda minha beleza e todo o prazer de meu amor o repeliram.
E agora a força de consolidar tal imagem e de evocar a lembrança do modelo, minha lógica pouco a pouco se confundirá em minha memória, como se a figura vivente e a figura pintada defrontando-se uma contra a outra se misturassem reciprocamente.
Agora como outrora, há aqui o mesmo contraste da vida interior que é ruidosa, com a exterior que é pacata. Tenho me feito esquecer. Moro longe e saio pouco.
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