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por Carlo Sansolo
Li esta história de um livro recém publicado, novas descobertas das anotações de Max Brod, amigo pessoal de Franz Kafka, mas estas anotações não pertenciam a Kafka mas a outro escritor anônimo. ‘Aparentemente certos fuinhas desenvolvem certa disfunção na visão, e se tornam marmotas, marmotas cegas, nada de estranho aí, mas a marmota com sua disfunção ocular visualesca desenvolve outras capacidades para justamente compensar esta carência incapacitadora, primeiramente a marmota cega desenvolve uma espécie de visão interior, e uma compulsão para montar e adornar ninhos, mas estavam incapacitados de procurar seu alimento, surge então um elemento interessante de cooperação na fauna, a associação com os abutres. Sim os abutres são os seus provedores, lutam entre si e adulam as marmotas que preparam os ninhos mais belos, a disputa é feroz pois aquele possui os melhores ninhos possui as melhores fêmeas, assim é muito comum ver abutres usando seus óculos fundos, escrevendo teses e discorrendo bravamente sobre os ninhos e sua estética, sobre os adornos do ninho, sobre os estilos, e períodos. Logo que a marmota, protegida por determinado abutre tem sua obra finita ou de alguma forma interrompida este é imediatamente e devidamente devorado pelo respectivo abutre que era então seu querido protetor. Para os abutres, marmota boa é marmota morta, pois não há mais qualquer mudança estética e estilística para se escrever. Claro as vezes há exceções à regra, e determinadas marmotas conseguem sobreviver colocando um abutre contra o outro, graças a capacidade do seu trabalho.’
Parece que esta história alegórica, fala da relação entre criador e dos teóricos que possuem o poder de valorizar determinadas questões em detrimentos de outras. Bem como todas as coisas são relativas, mesmo pode ser que seja apenas uma metáfora do poder animal e da fauna sobre si mesma. O artista seja ele artista da fome, seja ele artista não merece este respeito todo de herói que ás vezes pede para si mesmo.
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