LA ISLE

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TEXTOS - Artes pláticas

Macaca

por Erika Fraenkel

Zona franca, uma macaca perdida na lapa há três mil anos consta numa lenda que havia uma macaca presa no subsolo da lapa há tres mil anos, que se alimentava de dejetos, ela estaria presa no escuro, no subsolo da fundição progresso, em estado primitivo de existencia, o zona franca abriu algumas portas desse subsolo, e eu tive a oportunidade de vê-la se manifestar, em princípio me dava medo, depois a senti extremamente forte e poderosa.

Ela nada fala, mais possui um olhar muito penetrante que valeria mais do que mil palavras. Sua presença implica em poder e sabedoria, seu corpo não foi domesticado, ela è livre de referências, possui uma aúrea que dá medo, não tem nome mais está satisfeita de permanecer guardando o lugar para preservar suas manifestações, o Zona Franca é escuro parece um pulgueiro, é oposto a uma galeria, devido a isso é um lugar de arte, ele manifesta livremente os instintos, a fala e as intençoes das pessoas, artistas convictos e duvidosos, ou apenas punks, hippies, darks, adolelescentes, músicos poetas e até mesmo pessoas simples. A macaca protege o lugar com sua presença embaixo do solo, eu mesma desci lá, e vi o seu rosto, é como se ela me dissesse que respeita o lugar escuro e a fala dos transeuntes. A presença do microfone, e do som digital, como o video, não retira a aurea mágica, de abandono e vazio, assim como liberdade. Agradeço o conhecimento recebido da macaca, sendo ela uma referência construida em mim através do Zona Franca. A possibilidade de reconhecer esse corpo de tres mil anos com toda a sua força e olhar penetrante dá a impressão de respiração e transpiração, esse simples reconhecimento, eleva a valorização dos instintos, e a necessidade de libertar e manter a oxigenação, a possibilidade contundente de aprisionamento de gesto, expressão e fala, resultantes de uma crescente fragilização do homem, perante suas possibilidades individuais, e a crescente 'tecnologização' de seus instintos, levariam a um provável desfalecimento, assim como expansão da presença simultânea do homem. agradeço a oportunidade de conhecer o rosto da macaca, nossa protetora e sua silenciosa presença, para podermos ir além do que somos, além das possibilidades comuns, do trivial. Olhar para o rosto peludo da macaca, é retornar a um espelho do passado, e ver outro rosto em mim, ver a possibilidade de outros rostos se formarem no próprio Zona Franca.

Erika fraenkel 14 de março de 20002