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por Érika Fraenkel
No filme eXistenZ, há uma noção da infinitude de realidades, onde a entrada em cada uma delas, leva a outra em seqüência, esta imagem gera uma certa angustia, por haver tantas entradas, para aquilo que o autor chama de jogos, mas que seriam realidades paralelas, ocorre uma despersonalização dos personagens, pois a atitude desses dentro dessas realidades, se modifica, havendo uma mútua desconfiança entre eles no jogo, mas ao mesmo tempo em que existe esse clima de desconfiança e violência, em relação a ganhar o jogo, existe um clima de erotismo que Cronenberg desvia para a base da coluna, como um buraco no cóccix, onde o mouse penetra, criando prazer e dependência sensorial, os personagens se lambem por essas aberturas físicas, trazendo questões da biotecnologia e seu poder, dependência e erotismo, com doses de violência e angustia.
Ele aborda sobre esses corpos criados, como gamepod, sendo eles organismos vivos, que criam dependência com o corpo do jogador, ele espia essa relação entre homem e maquina, como problematização e simbiose, e deflagra o espírito competitivo entre as pessoas, assim como a necessidade de fuga da realidade em que vivem, além de confundir sobre essa mesma realidade e o jogo, com seus planos.
Sofremos interferência em nossa constante relação com a mídia, e podemos perceber essa pseudo-realidade em que a mídia cria, onde o individuo para se dês-alienar dessas desinformações, deve procurar outros estímulos de leitura e na própria internet outras fontes de informação, relativizando esse monopólio do canal midiatico, mesmo que isto amplifique a desinformação.
Cronenberg aborda a imagem da arma, que daria poder e capacidade de comando no jogo.
Nesse jogo, os participantes se integrariam a uma guerra, onde eles não saberiam quem seriam seus aliados ou adversários, e estes papéis se confundiriam no decorrer de todo o filme, sendo que o homicídio no jogo, seria questionado como possibilidade do real ou não.
Não havendo condições dos participantes perceberem, até que ponto as mortes seriam realidade, havendo uma condição de loucura, guerra e desejo, creio que ele expõe aspectos primitivos presentes diretamente na sociedade.
Onde essa fuga e esse jogo sem regras, poderiam refletir a própria sociedade de consumo, estaríamos sem entendimento dos nossos limites, e dos estímulos externos que nos despersonalizam, seriamos dependentes de nos manter numa atividade acelerada, onde desconheceríamos a continuidade e a construção desse percurso.
Seriamos vitimas de um sistema caótico e fragmentado, onde seres competem e não reconhecem suas fragilidades, mas tem medo, como no momento em que o personagem principal diz estar confuso com varias percepções de corpos que o jogo manifesta, se sentindo vazio de referencia com seu corpo vulnerável.
O duelo entre as instituições antenna e systematik corporations, que seriam as criadoras das realidades dos jogos, exercem domínio sobre a mente dos jogadores, e os realistas seriam jogadores que anseiam por derrubar estas instituições, com intuito de forjar essas realidades criadas.
Percebemos uma critica política bem avançada sobre o capitalismo, e a influencia do controle institucional nos indivíduos ,os tornando dependentes e desnorteados,havendo aprisionamento de suas mentes ,influenciando e sugestionando necessidades de consumo e faltas ,ate desenvolver divida e aprisionamento de perspectiva no sistema.
Érika fraenkel
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