|
por Érika Fraenkel
O farol
O trabalho como permuta.
A sobrevivência depende da troca.
Milhares de pessoas dependem da tentativa de ter novas condições de trabalho.
A economia informal, se expande como um vírus social.
O sistema, que não mantêm espaço para todos, apenas dentro de uma hierarquia.
A informalidade mantém uma trajetória circular, em torno do sistema que consideramos produtivos.
A economia informal seria uma outra coluna vertebral da sociedade.
Um novo código que é ausência de significado, da falta ininterrupta.
Homens andam não esperando mais construir, mas apenas continuar .
Não conseguem aquietar seus corpos.
Cada dia têm uma percentagem de juros.
É possível olhar o corpo como algo imóvel.
Temos inputs de auto preservação e inputs de super-faturação.
Você possui uma data de validade.
Não se preocupe com o juros, pois ele segue sem fim.
A margem da visibilidade.
Se desfaz a expectativa de cidadania.
Se desfaz a expectativa de ser inserido.
Se desfaz a percepção de identidade.
Como me identifico?
A identidade de pertencer a determinado grupo, me insere ou me exclui?
Quais são os atributos que devo possuir para ser quase aceito?
Existe glamour em ser excluído?
Até onde posso ir?
Até onde a vontade de se superar, mesmo sem perspectiva?
Até onde a autoridade impõe o seu limite?
Identidade como processo circular, até onde se percebe o fim.
Quando se percebe determinados limites impostos, se percebe o limite da identidade.
Simplesmente olhar com os dentes trincados, como se a raiva superasse qualquer pretensa ação.
A auto flagelação me recompensa ou me dá autoria?
Olhar para dentro e acima, me refaz o caminho?
Olhar em frente, senso de realidade, de lúcida auto representação.
O homem evitando o próprio homem, o homem como percurso e sinal, como demência e exclusão.
A diretriz dos caminhos opacos revelam nossa auto indulgência, nossa sede por formatação, como sede de limite, para não nos depararmos mais uma vez com o abismo de nós mesmos, singela e doce abertura para o outro, simplesmente como duvida, e laço, somos seres siameses e terrivelmente dóceis, siameses e sem crédito, com validade ultrapassada, com superior inferioridade, abarcando o temível paradoxo do mau senso do bom senso.
Pressuposto - black and white
Uma experiência cirúrgica
Retirada de uma massa branca disforme
Um corpo tenso, que não conhece a substância interior
O corpo de pelúcia, que traz ternura e curiosidade
A selvageria da presença animal
A presença oculta do ancestral, nos pêlos da macaca
A submissão da pelúcia, à experiência artística
A passividade da pelúcia, como corpo dócil
A tenacidade do artista
A mão firme do pintor
A descoberta da substância branca
A superfície, e o exterior
A desmistificação da imagem pelúcia
O esvaziamento
A espinha dorsal da pelúcia
A simulação da inutilidade obscura da experiência
A inquietação e o pêlo.
Como se vê, o vídeo aborda a necessidade de experimentação num trabalho de arte, apesar de se estar apenas comentando o texto, e não tendo a experiência do vídeo em conjunto, seria importante ressaltar sobre esta pseudocirurgia, que traz a possibilidade de adentrar no espaço dito interior, como um novo território, os elementos do vídeo denotam a necessidade da seriedade para lidar com esta penetração no interior da pelúcia, que fomenta uma falsa animalidade, que seria domesticável e por isso a necessidade de ser desmistificada, a idéia da pesquisa de investigação que traz vida para o artista, sem falsas pretensões gera espaços desconhecidos, de linguagem e de percepção do objeto apresentado, esses não lugares ao meu ver, dão espaço para novas interpretações, pois a renovação de visão que a arte provoca gera movimento existe a necessidade constante de revermos nossos conceitos e padrões interpretativos.
O pêlo como busca utópica da selvageria, esta busca que nos mantêm mais despertos, nosso percurso necessário de dês-domesticação, desmitificação da nossa falsa auto imagem de pelúcia, nossa auto idolatria imagética, e a coragem cirúrgica do artista decompondo seus erros simbólicos.
Érika fraenkel
|