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por Érika Fraenkel
O deslocamento do tempo, que expõe DNAS a determinados meios, e que fazem esses interagirem através de suas peculiaridades, geram diferenças.
Apesar de serem univitelinas, as irmãs que aparecem no vídeo, receberam a mesma informação genética. O espaço de tempo que surge com o nascimento gera outro rosto, uma diferença que surge de um potencial de similaridade.
Entendo a diferença como uma possibilidade da similaridade entre ambas, a partir do momento em que surge esse paradoxo, de semelhança e divisão.
Esta imagem proposta pela artista desvela o que existe por trás do rosto.
O interessante é que esse rosto que é exposto estaria numa gradativa e quase imperceptível mudança, mas que em sua finalização, essa diferença se materializaria por completo.
Não vemos o rosto como auto retrato, mas como questionamento de genes tempo, o que revelaria uma outra leitura da paisagem rosto, deixando de ser figurativa, para ser a manifestação de um paradoxo.
Este sujeito rosto, que se vê imbuído de influencias genéticas e temporais, questiona essas manifestações, e com isso fragiliza sua própria existência.
A artista desmembra a idéia de nascimento como simplesmente divina, e aborda a questão numa perspectiva cientifico filosófica.
Questões genéticas estariam sendo extremamente manipuladas em nosso tempo, e apesar da livre manipulação cientifica, teríamos questionamentos existenciais sobre nossa própria existência.
Esse trabalho revela as mudanças de paradigmas, que estamos sendo testemunhos, onde o aspecto cientifico, muda nossa relação com o religioso e lança novas questões, assim como a auto imagem, gerando uma mudança de rosto para a sociedade, que se encontra cada vez mais, em mudança de percepção da temporalidade e da noção de individuo família - instituição, onde há mudança de ordem econômica, que entendemos como capitalismo tardio, gerando mudança de estabilidade no emprego na forma de ação no trabalho, e no próprio tempo investido no trabalho, atravessamos dificuldades com superpopulação, e ao mesmo tempo muita tensão nas diferenças culturais, e religiosas, na globalização. Nosso rosto se encontra, em gradativa mudança, mas vivemos esses 20 minutos, que parecem extremamente perigosos e hostis, e ambiguamente cheio de novas aberturas, e desconfortos, pois não podemos mais reconhecer o período anterior à era da informática.
Temos conhecimento, que o ser humano esta sujeito a mudanças de percepção, em meio às mudanças econômicas e cientificas, percebemos o fio tenso das tradições, e da religião, esta com sua estreita visão social, que acaba por ter que reformular todos seus ritos, alem de vir transformando e adaptando esses ritos no decorrer do tempo.
O artista se vê em meio à própria mudança, em que o digital interfere no cinema, tv, e nas linguagens artísticas, e tenta olhar para o seu próprio rosto, procurando uma frágil referencia.
O homem como escultor de si mesmo, podendo moldar sua forma, e criando assim sua sentença.
A tecnologia moldando corpos e subjetividades, constante conflito entre saberes e valores éticos, ate aonde podemos rever todos as nossas referencias, que acaba por delimitar o espaço que vamos ocupando, ou deixando de ocupar.
A desmistificação de nossa subjetividade cria uma circunstancia de desconforto, devido à gradativa alternância dos valores, que se modificam com os alcances científicos.
O bio-poder que nos cerca, vai mudando a nossa condição de perceber, e de viver, como um jogo de forcas.
Estamos num período de trocas tecno-humanas, é natural que a artista questione sua vida previa, e suas influencias genéticas e temporais, ele se utiliza o corpo, ale de sua imagem do rosto, que sofre uma releitura contemporânea, pois esse dita rosto foi incessantemente comentado na pintura, escultura e fotografia, ai o rosto não se encontra como expressão, mas como manifestação de duvidas pertinente a nossa dita atualidade.
Em nossa era faustica, buscamos transcender nossa própria condição humana, através da tecno - ciência, esse seria então o homem pós-biológico.
Estamos reconceituando, o que ainda há de humano em nós, poderíamos sacralizar a tecno - ciência? Será que aspiramos ir alem das restrições temporais e orgânicas? Queremos transcender a materialidade?
Nosso projeto tecno demiurgico, desmistifica e afasta nossa representação e entendimento da natureza.Existiria uma evolução biológica?
O homem poderia se autocriar re-arquitetando a sua vida, e até a sua pós-vida?
Estaríamos talvez em pleno delírio contemporâneo, e tudo isto seria efêmero e obsoleto?
Érika Fraenkel
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