LA ISLE

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TEXTOS - Cinema e Vídeo

Auto erotismo, marca e ausência.


Still do video desenho apagado de Silvio Tavares

por Érika Fraenkel

No vídeo se apresenta a tênue relação no que concerne pintura, escrita, desenho e digital, onde esse digital atua como apagamento do sulco de sangue, que foi aberto como num arado, onde a mão reinscreve sua própria marca (m), como numa agricultura da escritura, onde essa remarcação é apagada digitalmente, ou seja, a afirmação da ausência do acontecimento, gerada por uma amnésia provocada digitalmente.

O arado do artista, como operador de signos e co formador de uma cultura, que reinscreve e rastreia seus signos, abrindo a superfície da mão como tela, pagina e pergaminho, explora esses arqui-signos transpondo sua natureza, se reinscreve, se masturba relendo sua ausência e sentido, como frustração, gozo e morte, apagável, portanto irracional porem não acidental, restaura sua arquipresenca, como se sonhasse escrevendo, rasga no sentido da esquerda para direita, como o olho vê, mas criando uma diferencia, podendo especular sobre a auto ausência.

É evidente no trabalho a menção a circunstancia de autoflagelacao, alem da condição de constituir uma marca, que para isto existe um sacrifício, essa suposta marca, se faz presente no ritual judaico -cristão, assim como nas culturas da índia, áfrica e povos indígenas, existe como um rito de passagem, alem de reafirmação e cura.


Na cultura contemporânea, convivemos com tribos sado masoquistas, e com o uso de piercing e tatuagens, que se manifestam também como condição de body modification, no vídeo há referencia ao sangue e ao sacrifício com a pele (textura) alem da referencia da marca m, que faria parte de um código genético humano, ele reafirma e apaga, expõe sua fragilidade e um rastro, manifesto na atem do artista, sendo a atem a potência do trabalho.


Érika fraenkel