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por Érika Fraenkel
Masturba cão.
As imagens em superposição, da criança, do homem e do cão, formam a situação do hipertexto na rede, onde se vê, o homem posando com sua virilidade, seu corpo definido, junto a gritos e lamurias de cachorros, um corpo definido cedendo a indefinições temporárias do sentido da imagem.
O cão, a animalidade do homem, o homem que se impõe como imagem, exibindo seus atributos, o animal cão, que simplesmente late, pois seria o que se esperaria deste, e o que se esperaria do homem que se masturba? Apenas exibir seu membro?
As imagens jogadas na rede aleatoriamente, como uma catalogação de aspectos humanos, o artista navegando e criando relações entre as imagens.
Portanto este texto-trabalho funciona no “ëntre”, pois nesse aspecto do “entre”, que ficaria implícito o esvaziamento dos significados, o vídeo também esvazia a carga erótica, e traria essa banal relação entre cão e pênis.
Um labirinto, uma multiplicidade de desdobramentos, como se o assunto, o departamento “pênis”, “cão”, pudessem gerar infinitas imagens na web, levando a uma sensação de amplitude, mas também de quebra de sentido.
Janelas, que abrem no espaço virtual, e que conectam diretamente com o espaço mental.
Vários andares de imagens simultâneos, ressoando como musica, onde daria a impressão de um lago cheio de imagens, atrás das imagens, a tela escura, gerando a idéia de buraco, caverna, céu, e de novo o infinito.
Ausência de sentido e presença de dobras que não se desfecham, apenas abrem, descategorizando e desmistificando o erótico-homem-animal criança, como se tudo tivesse uma fluidez absoluta.
A simultaneidade das imagens, poderia invocar uma certa amplitude, a correlação das palavras masturba e cão, que gerariam um neologismo, explicitando a própria ambigüidade da imagem, essa tênue relação, entre palavra e imagem, buscando criar um sentido, que em si mesmo dissolve essa possibilidade.
Seria a afirmação da negação, um pseudo-sentido, para expiar essas tramas de imagens e informação, que seriam o próprio corpo da web, onde a escrita seria a imagem virtual.
Uma livre circulação de imagens, que se associam, dentro de dois principais temas, gerando palavras, e dissolvendo o sentido de cada imagem, gerando nessa união, a materialização da intenção do artista, unir imagem e palavra.
Quando o homem fica no vídeo com o rosto do cão sobreposto e latindo, cria-se um antropomorfismo, que revela uma imagem híbrida, gerando uma mudança na representação e no tratamento do tema, a web cria a possibilidade de muitas misturas de informação, desfazendo aspectos de identificação cultural, mudando a percepção das diferenças, e unindo essas diferenças, rumo a uma indiferenciação, que seria caótico para a manutenção de identidades que geraria a quebra de tradições, alem de economias.
Érika Fraenkel
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