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TEXTOS - Cinema e Vídeo

JANELAS


Still do video janelas de André Sheik

por Érika Fraenkel

Janelas – comentários sobre vídeo de André sheik

As variações de imagens que aparecem neste trabalho são de espaços domiciliares nos quais sofrem interpenetrações entre vídeo, reflexo na tela de tv, espaço em torno de corpo do artista e da câmera. Sendo interessante a temporalidade exposta nesse trabalho, onde o espaço com a tv seria aquele momento do artista em frente ao simples aparelho, aí não mais como midium que projeta, mas como espelho e reflexo do espaço em torno do objeto.

Tem-se a paisagem proposta, que seria diferentes janelas em diversas casas, apesar de parecer simples essa trajetória, pode-se dizer que o vídeo se pretende simples no seu aspecto formal, mas possui uma sofisticação em seu tempo - objeto - paisagem, onde o artista realmente inverte a projeção, criando a circunstância do espelho, que vai remeter ao presente.

O autor representa sua percepção interna e desdobra sua visão, gerando dobras de percepção.

Quando André monta uma instalação no Parque Lage, em frente à janela, ele repete a situação do vídeo, com intervalos de esvaziamento da tela, onde o publico se depara com o reflexo da janela da sala no monitor da tv, ou seja, repete para dar noção do infinito.

Como se estivesse gerando um círculo continuo dessas situações geradas por ele.

Numa frase de Leibniz, ele enuncia sua importante fórmula: "não há janelas", dando uma noção de clausura e fechamento em relação à qualquer percepção, ou ponto de vista, o artista na verdade apreende algo a partir do seu ponto de vista ou percepção, criando uma idealidade ou virtualidade. Mas isso só existe, segundo Leibniz, na própria alma que percebe, como uma inflexão, uma potência, uma dobra, uma ação interior da alma, despregamento interno, ou seja, não há janelas! no entanto o nome do vídeo é, ironicamente janelas.

“Seria o mundo, uma virtualidade, só existindo nas dobras da alma, que o si, expressa”.Pág. 45, a dobra – Leibniz e o barroco, Gilles Deleuze, papirus editora.

O ponto dobra, que seria plástico, ou elástico, a eterna necessidade da alma de emitir sua percepção e de criar idealidades.

A clausura desse espaço limitada em expansão, mas ilimitado em percepção em infinitos desdobramentos, que podem nos sensibilizar com a poética proposta por André.

Érika Fraenkel - 2003