LA ISLE

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TEXTOS - Artes pláticas

Fábula


Fabula –trabalho janeiro ,2004 ,edificio galaxy

por Erika Fraenkel

Uma sala, adiante um objeto pendurado no teto, a imagem sugere a idéia de docilidade, através dos laços, dezenas de laços brancos com bolinhas pretas, cobrindo o objeto, este no qual se ligaria a um vestido sobre uma menina, objeto e vestuário então se ligariam dentro de seus distintos espaços, se unindo apenas através de uma fita azul.

A roupa sugere festividade, o objeto acompanharia visualmente esta roupa, criando uma cumplicidade entre eles, o enfeite como significante simbólico da necessidade aceitação em sociedade, representando glamour, aparência dócil, personalidade de poder, enfim circunstancias presentes no imaginário social, presente de forma subjetiva na mídia, alem dessa suposta projeção, acredito no potencia de unir corpo a objeto, onde esse corpo apresenta uma vestuaria.

Na cena da performance, o uso de esmalte transparente, e de maquiagem formando cicatrizes, suavemente apagadas pela artista, como um ato de pintura com esmalte e make up, pintura da mascara em sociedade da persona, os enfeites, e a mascara se esvai, tudo seria facilmente retocado e limpo, como um ato de alteração, sempre esperamos algo agradável, e realmente as imagens trazidas pelo trabalho seriam agradáveis aos olhos, a busca por um instante de leveza, para nos concentrarmos na mascara, no enfeite, na roupa, e por mais um momento estarmos suspensos em nossa superficialidade cotidiana.

Uma fabula, uma reunião de situações inúteis, e o elo afirmado dessas ligações, o passageiro, e o supérfluo, o pequeno sofrimento de uma menina, não impede o mundo de girar, estaríamos de frente para nossas cruéis necessidades de bem estar.

Tudo gera um acontecimento, simplesmente por estarem unidos, todos esses fatores citados, que poderiam ser insignificantes em separado, quando ligados, gera uma nova condição de leitura.

Seria esse trabalho um simples retrato de alienação, diante de nossas pequenas necessidades inúteis, nosso sofrimento contido, nossa imagem programada, adornamos nossas carências com laços que negariam imagens internas anteriores, negariam nossa profundidade, que poderia ser apenas um conceito, onde existiríamos apenas no âmbito da superfície uma eterna superfície com camadas infinitas.

A artista cria um momento mágico de cortar esse laço azul, que a prenderia ao objeto, trazendo um ritual de passagem, com a idéia de libertação, alivio e superação de si mesmo, onde a menina pode circular pela sala, livre do objeto.

A menina se mostra inicialmente como uma debutante para a sociedade, uma vitrine, suspensa em sua própria vaidade e luxuria, supervalorizando sua individualidade e se afastando do grupo como mero transeunte, por estar presa ao objeto e a roupa, presa a valores que a impedem de circular.

Esse duplo, menina objeto, e o elo com roupa, e laço, gera a exposição da inquietação do artista, e a necessidade de refletir o mundo como um espelho de pequenos significados, podendo essas uniões de significantes formar conceitos, ou espanto.

Uma fabula artificial, que pode criar esse instante de libertação, através do corte da fita azul pelo artista.


Érika fraenkel