LA ISLE

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TEXTOS - Artes pláticas

A máquina e a lingua

por Erika Fraenkel

na transparência da minha lingua, rasteio os fios do céu, lambendo os pontos, e me situando através deles, onde esses pontos ao tocar a carne da lingua, formam uma maquina desejante que, é o corpo objeto, um lenço simula o ceu, e fios de linhas escorrem pelo pano vermelho, tocando a altura do meu seio, e da lingua, e neste ato de ligação revejo a idéia de céu vermelho, céu aberto no tom da carne, que escorre linhas brancas esperando o ar demarcar suas trajetórias, na ponta da linha a língua na outra extremidade o lenço aberto firme e vermelho, percebendo todos este mecanismos criados artificialmente, por uma mente que deseja presentificar uma máquina simulada, que possa conter o transcendente e sua impossibilidade de permanência, onde o trabalho só existe de fato quando a língua molhada e o seio tocam os fios, não só como desejo de integração mas de percepção e formação de um corpo imaginário, corpo-imagem onde os fluxos não caminham no condescendente mas na antemão dos fluídos, no reverso do ato adaptado, no suor febríl da suspensão da racionalidade, e na possibilidade das ondas em pleno alto mar, ondas das dobras do desejo, quando ele vai a alto mar e bate contra as elas, arrebentando a própria permanência e se realizando na contramão da via, mas estas ondas barrocas, que se suspendem para além do fio da percepção imediata, e vai para percepções além do nicho das alegrias salubres, na direção da vertigem, e do embaçamento da vista, se percebendo lúcida em sua fraca dimensão do entendimento, quando o entendimento deve se despedir desta linearidade boba e sombria, e procurar a má companhia das ondas seguir do em alto mar, e se perder no horizonte, para encontrar o gelado da água onde ele sente e vibra no verdadeiro do estranho, e na saída da superfície, numa viagem onde há imensos resgates, e nova visibilidade, visibilidade descascada, que se tem frente, e ao lado do sujeito, há muita tensão nesta máquina simulada, máquina de merda, de céu, de febre, de saída e impossibilidade, onde se põe a língua no céu e o fio mas que prostituído e usado, liga e cria a conexão onde a imagem é comunicação e a comunicação é a dificuldade, impossibilidade e medo, não posso perceber o que ele percebe mas posso explodir minha língua mãos e olhos fazendo um momento de visão, um segundo de memória no outro, onde este abre algumas portas, e se despede de outras tantas.

Erika Fraenkel