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por Erika Fraenkel
Ao simular um acontecimento singular, perco minha noção de originalidade e flutuo num espelho infindável. Espelho este serializado, onde a imagem real se perdeu, permanecendo a falsa noção de presença.
Na ausência do humanismo e na multiplicação da face, onde desdobramentos incessantes de sorrisos se insinuam e inscrevem sua individualidade.
Repetindo o gesto e copiando a própria imagem refletida, onde o semelhante não é a cópia, sendo assim o que se copia se perde, e o semelhante sempre se encontra.
Na necessidade intrínseca desta cópia, resta o banal do gesto e do significado da presença, onde a imitação esvazia a ação e o sujeito, mas retrata a visão fragmentária e a perda de autenticidade.
A cura pelo semelhante (simila similibus curantur) e a vastidão da cópia, revelam suas diferenças num jogo onde o gesto automático de um corpo é a própria máquina-objeto, mudando a noção de individualidade e de limite no físico, onde a extensão do corpo é a própria máquina, que acaba sendo copiada como modelo pelo homem que a gerou, e que foi modificado pela sua presença. Ambos, máquina e homem, se tornam siameses, e se anulam na não-diferença.
A uniformização e a similitude entre homem e máquina traz a noção de humanidade, e de “similóide”.
Afirmo a noção de semelhança, como geradora de relações, mas a idéia de cópia, como geradora de esgotamento.
A distinção entre semelhança e cópia gera a noção de original.
No trabalho, a foto não é a artista, e sim uma mulher semelhante, e o boneco simula a máquina, sendo este boneco máquina parecido com a imagem da artista, que se transfigura para ficar próximo em imagem e gesto, ao boneco-máquina.
Há confusão de identidade, e repetição de gesto, onde denota ausência de modelo. A idéia de dissolução, e de diluição, implica na idéia de serialização, onde a absorção da imagem primeira, em posterior, contínua a repetição narcisica, levando a sua dissidência absoluta.
O vazio da dissolução como banalidade, e não como contaminação, onde essa contaminação se torna estéril.
A desapropriação da presença leva a deslocamentos de ausências.
A reverberação da ausência leva a idéia de “similóide”, conceito que justifica sua própria ausência como palavra reconhecida.
Erika Fraenkel
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