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por Erika Fraenkel
Siga-me eu não tenho para onde ir, tome uma atitude , eu não saberia o que fazer, pois meu rosto revela uma outra face, vejo na minha frente uma pele áspera, abrindo a sua superfície e se expandindo, num tom amarelado.
O espaço vazio do meu olho, pede um pequeno entorpecimento, o sentido do fechamento gradativo dos poros revela, uma nova organização.
O direcionamento da supressão curvilínea da minha língua, leva um tom desengajado de minhas ações, onde escondo minhas verdadeiras intenções, se não posso ir adiante porque permaneço com os olhos esbugalhados?
Os ovos estão virados e desconheço a origem desse omelete.
Muito sal leva a um destempero cotidiano, gradativo, a pele se torna áspera e os olhos se espetam entre os cílios ao fechar, na língua um prego se instala, furando o céu obscuro da boca.
Relações afetadas entre o corpo e as dimensões do ferro, onde junto com as unhas assisto uma nova percepção de conjuntos de pregos finos, onde afinam o que eu chamo de garras, e as unhas se entremeiam aos pregos para se estabilizar.
Uma formação de fendas se abrem no meu coxcis, e essas três pequenas fendas saltam ferrugens, eu preciso de óleo para lubrificar minha pele que se tornou áspera com o tempo chuvoso e essa chuva exalta a condição aquosa da intranqüilidade da minha exaustão.
Exausto e sem sal. Puxo meus cabelos secos e espero que despenquem os velhos fios em minhas mãos .
Um poro se expande muito e supera a fenda do meu olho, formando um buraco escuro onde meu dedo encontra em sua cavidade, uma pequena formação gordurosa de leite semi desnatado.
Abre a boca e saliva espumando, não uma espuma comum mas uma espuma amarela que deve ser cuspida na minha mão, agora eu sei o prazer alcançado na intimidade.
Pressione meus olhos para dentro e afunde eles para boiarem um pouco na água acumulada dentro da cabeça.
Houve uma dobra do joelho a mais e eu puxei um pouco para enrolar uma falsa orelha, assim as pessoas falam próximo do joelho,e eu não preciso ouvir a blasfêmia que elas dizem .
Preferi entupir minha orelha com óleo de linhaça, e ficar mais ligada no calor do meu estomago, agora posso lamber meu fígado, pois resolvi expor seu volume cinza para além da superfície da pele, só consegui isso devido a fenda que lentamente se abriu na sua altura, uma fenda e foi se abrindo pelos coágulos de sangue que escorriam, do pescoço retorcido, coágulos misturados ao pó da ferrugem, que fazia ficarem ácidos, por isso inevitavelmente a fenda teve que romper, eu não sabia que a temperatura do fígado era tão baixa e deixava demarcado um território que ia até a superfície da pele. Resolvi numa tarde que deixaria uns pertences no canal abaixo do estomago, deixaria lá um martelo, um caniço, e uma caneta, pois assim poderia me sentir mais acompanhada, isso tudo se esvaiu de mim, no dia em que busquei um rio e ele secou, percebi a ausência das águas, e achei que ele secara devido a muito ter percebido, que essas águas estavam sem estimulo para seguir, quando fiquei sem rio por perto, procurei o alto das árvores, onde pude fazer um ninho especial com pedaços de bambu, não pude completar o seu formato e fiquei cega com um dos bambus que espremeu um de meus olhos, mas o ninho serviria para esperar o céu ficar azul marinho.
Sem um olho resolvi improvisar com jabuticaba madura ,pois sua semente ao ficar exposta poderia se tornar espelhada dependendo dos acontecimentos, e esse espelhamento favoreceria o olhar dos outros, omiti minha visão estreita mas sei que poderia olhar quando quisesse nas palmas das mãos, e ainda mais com a própria carne delas pois em regiões muito usadas, a carne permite que um de seus poros venha a perceber o exterior, nossa! Sempre achei conveniente deixar a carne se expandir, e se dobrar, fica mais fácil ela se moldar, e os ossos não ligam, pois eles sempre ficam esperando virem a ser marfim, pena que isso depende do aumento gradativo dos poros.
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