LA ISLE

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TEXTOS - Cinema e Vídeo

1 minuto para Cronenberg

por Érika Fraenkel

No filme Rabid, de 1984, Cronenberg abordava através de sua narrativa: a epidemia, a violência, o comportamento compulsivo, o sexismo.

No filme vemos imagens de insanidade, pessoas que de repente se tornam descontroladas, e se tornam assassinas. A epidemia da violência, que ronda determinados centros urbanos, devido a fatores sócio econômicos, relacionando a violência como fuga e protesto estéril.

A violência na película é disseminada por um tipo de vírus, que se solta do braço de uma mulher, no sovaco de uma bela mulher é projetado um órgão novo, que leva à contaminação, transformando essas pessoas em zumbis.

Essa mulher seduz e se deixa seduzir, sendo isca para injetar seu vírus, em pessoas que cruzam os seus caminho, esse vírus apareceu devido a um acidente em laboratório, onde sua pele teve que ser trocada. Aí ele aborda a questão da ciência e seus desvios, uma experiência cientifica, que aparentemente seria bem sucedida. Na verdade, esta experiência sai do controle, e se transforma em uma epidemia, na cidade.

Interessante este questionamento entre ciência, violência e epidemia, em meio a guerras bacteriológicas, e toda discussão do perigo cientifico, onde este passa por cima da ética, e de nossos próprios limites, onde o corpo estaria sendo reconstruído, e repensado, Cronenberg aborda este fator, e faz relações com filmes de ação americanos, como uma paródia, este filme não transparece sua critica, mais traz consigo estas questões, seria uma forma inteligente de disseminar esse vírus –filme, onde aponta questões apenas.

O sofrimento da personagem principal representada pela atriz Marylin Chambers, atriz pornô, que após o filme voltou para o pornô, esse sofrimento da personagem, que não compreende o que se passa com ela, sendo levada a esse comportamento compulsivo, gerando a face feminina de histeria, sedução e auto aniquilamento, que delinea o drama do filme, sexo e desespero, essa formula atrai bilheteria, que é intrínsecamente americana, revela também aqueles seriados de super heróis americanos, como o incrível hulk, que não podia conter sua raiva, e havia também sido vitima de uma experiência de laboratório, mais no caso do super herói, a raiva estaria a serviço do bem.

Importante notar o caráter machista do filme, onde a mulher seduz e permanece alienada na sua compulsão, alienada e linda, mais acima de tudo má e violenta, descrente de sua maldade, destrói corações, e tenta preservar o amor do homem que ama, mais que acaba por destruir em meio a sua alienação, deixando –o desconsolado, e desnorteado, um verdadeiro dramalhão mexicano.

Essa mulher quer preservar o homem que ama, do perigo contido nela mesma, um corpo estranho embaixo de seu braço, que expele substancia que gera, loucura e morte.

Esta mulher tirana e bem maquiada é vitima da ciência, que ao preparar uma cirurgia para trocar sua pele, que embeleza e envenena, com a existência de um órgão estranho.

O maior veneno seria a contaminação psíquica da violência, alienação e morte, presente nos centros urbanos, e a constatação que a vaidade a serviço da ciência, ou vice versa, leva a destruição em massa, pior do que a guerra bacteriológica é a guerra psíquica de alienação, e do esvaziamento da troca.

Numa cena do filme, um dos seguranças acaba metralhando o papai Noel do shopping, sendo este contaminado por sua raiva, perde o controle e se arrepende.

Essa pseudo-ironia é a real imagem da fútil relação do homem com seu próprio autodiscernimento.

Érika fraenkel