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por Giordani Maia
Quando falamos em Possíveis Regiões de Turbulência pensamos, primeiramente, na transição de um estado ou corpo sólido, rígido, para um mais fluido e úmido. Este seria um processo incalculável e irreversível segundo Luciana Parisi e Tiziana Terranova1. Mas também, tendo em mente um conceito, ou principio especulativo, semelhante ao da física quântica, matemática do caos, ou outros princípios da física que abordam teorias como a dos universos paralelos, worm holes etc. Por exemplo, enquanto vários princípios da física pós-moderna (ciência pós-newtoniana e pós-einsteniana) dão margem a conceitos como expansão ou contração do espaço-tempo, séries infinitas (possibilidades) de tempo e espaço, aqui, em Possíveis Regiões de Turbulência, nós também podemos abordar de forma semelhante (ou pseudo-semelhante).
Poderíamos chamar essas Possíveis Regiões de Turbulência de bolhas ou ilhas de um momento, um espaço, um tempo-arte não-oficial. Algo que ocorre paralelamente a um fluxo contínuo de tempo, momento ou espaço-arte (ver gráficos abaixo).

Enquanto na física fala-se em bolhas de tempo, aqui se fala, ou tenta-se falar, em bolhas de ações que desencadeiam o surgimento de um tempo-arte informal. No entanto, trata-se de possibilidades especulativas, algo que pode ou não ocorrer, ou ocorrer e estar fora do domínio e constatação de um espaço-tempo oficial.
Porém, uma vez dentro da possibilidade de se pensar sobre a existência de tal realidade, temos o surgimento de sistemas que se organizam, ou auto-organizam, em níveis e campos cada vez mais complexos e imprevisíveis. E é justamente dentro deste horizonte de imprevisibilidades, de vários campos que circulam interpenetrando-se, que podemos incorporar, sintetizar e tentar construir e aplicar novos sistemas. Algo que a principio pode parecer contraditório, mas que dentro de um conjunto de continuidades descontínuas, fluxos de pequenos acontecimentos e constante estado de afetar e ser afetado, acaba por desaguar na seguinte lógica: instabilidade e assimilação dessa instabilidade. Neste sentido, esse espaço-tempo-arte informal (turbulento) funciona como um Fora este fora informal é, por si só, uma zona de turbulência “onde se agitam pontos singulares e relações de força entre eles”2.
Dentro desse contexto, mais do que a simples confecção de trabalhos ou obras de arte, está se falando aqui de uma tentativa de construção e aplicação de sistemas (sistema-arte), “sistemas não-lineares, que se transformem de modo indeterminado ao longo do tempo, manifestando continuamente novas propriedades, formas e padrões”3. Temos então, o quadro perfeito para a instabilidade se desenrolar com sentido.
Giordani Maia 16/03/2002
NOTAS
1. PARISI, Luciana; TERRANOVA, Tiziana. “Heat-Death: Emergeney and Control in Genetic Eingineeiring and Artificial Life”, disponível em http://www.ctheory.com/article/a84.html.
2. ARTE/CIDADE DESIGN REASEARCH DIAGRAMAS G. DELEUZE, disponível em http://www.uol.com.br/artecidade/diagramas_tx02-17k.
3. ARTE/CIDADE DESIGN REASEARCH DIAGRAMAS G. DELEUZE, disponível em http://www.uol.com.br/artecidade/diagramas_tx02-17k.
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