|
por Godofredo Quincas
Carnaval a carne vale-tudo. Festa do povo na aclamação de Momo. Estudiosos da psique humana contemporânea atestam que a exploração ininterrupta da mão-de-obra causa problemas neurais e físicos irreversíveis levando o indivíduo a apatia social. Enquanto que carnaval é a extrapolação do trabalho fazendo mexer o esqueleto não somente a mão que o diferenciou do resto dos primatas…surge daí o elemento subversivo-anti-laboral e anti-imperialista e de rompante a exacerbação, explosão, Zé Pereira batendo fundo seu bumbo boca-que-fala o que não pode ouvir o ano inteiro espécie de comigo- ninguém-pode contra a asneira nacional. Carnal é extravasamento canibal dissimulado macunaímico, feitiço-afro-gentio-bravo-mestiço quilombola urbano armado de cacete contra a incultura alienante alienígena quinhetocidas a serviços da indústria sufocante hooliddiana e do nazismo suburbano terceiro mundista dos capachos pseudo-intelectuais metafísicos enganadores da opinião pública cinefóbica bravateiros pequeno burguesa.
Carnal é fincar dentes , combater os santos romanos da mídia mundial e por fim proclamar a Pindorama do Capitão Zafuringa contra o super homem das metrópoles endinheiradas.
Rio, agosto 2002
|