LA ISLE

voltar

TEXTOS

G.V.5

textos que se encontram dentro dos gráficos

por Carlo Sansolo

(1)

Sobre a internet. Aspectos do impossível

O corpo desapareceu na web, deixando apenas a idéia, a ideologia, as idéias sublimes, o sexo mental, uma gratificação imediata, um mundo sem corpo, um desejo de trocar idéias, um mundo protegido contra o avanço da realidade material, que perde sua função básica, já que tantos artifícios a suprem ou suprimem as necessidades corpóreas de comida e teto, de liberdade efetiva, temos uma liberdade ilusória, onde todo pensamento é possível, mas sua prática virtualmente impossível.

(2)

Do artista profissional

Geralmente é aqle aqla, q cursou belas artes e precisa justificar pro pai e pra mãe q investira neste e nesta, e precisam mostrar trabalho, ou seja ganhar dinheiro mais ou menos imediatamente com a coisa. Na verdade dês importando o background dele ou dela, o q vejo aqui e chamo dês prestigiosamente de artista profissional é a pessoa q se preocupa muito em mostrar trabalho mas pouco em desenvolver um trabalho, uma reflexão, um pensamento. Alguns mais burgueses se esmeram demais na qstão do 'bom acabamento', q arte tem q tar bonitinha para entrar em um envelope e pronto, na verdade o tal artista profissional tem um trabalho bonitinho q não incomoda, e termina como decoração.

Temos também um tipo mais astuto q é o artista rato, q é um pouco mais articulado, ele conhece os críticos e curadores de um jeito ou de outro, e tenta descobrir os interesses pessoais, dste ou daquele ou daqla critico critica, e faz sob encomenda o trabalho para este ou aqle salão, no caso do profissional rato, também existe o imediatismo, um imediatismo mais oportunista apenas.

O q estou chamando d artista 'diletante, amador etc...' não tem menor coisa de menosprezo, simplesmente uma pessoa q não está dependente das regras do mercado para produzir seu trabalho, mas q pode realizar os projetos q propôs com o orçamento q se propôs, esta pessoa atende ao telephone, e consegue realizar o q ela ele se propôs a fazer, não falei em irresponsabilidade-meninagem-molecagem, porq isto soa mais a coisa do oportunismo barato já contida no parágrafo de cima.

Dos caminhos: Ainda vou ser bobinho o suficiente para falar de uma coisa altamente especulativa, o destino do artista.

Acredito q desde os 60 e 70 o artista é cada vez mais crítico, e o crítico tem q ser cada vez mais artista. E mais: Desde esta época artistas questionam com frequencia onde e em q circustancias, instituições, galerias expões ou deixam de expor seu trabalhos (colarzinhos, maricas para fumar mac..., brinquinhos etc...), e mais cenas foram surgindo da criatividade própria q a necessidade incita, video arte e performance como exemplos, a coisa migra para net art, a internet como um meio de mostrar trabalhos e agenciar situações. A tecnologia está envolvida em todos estes processos, um trabalho feito por computador tem algumas vantagens. A- pode ser muito barato. B- questiona a idéia de autoria. Está ao alcance de qualquer mané. A consequencia disto é uma perda da noção do q é o artista e o q é arte, e mesmo um apagamento da identidade humana.

Sobre a questão da identidade humana, refiro-me à microfísica do poder do Foucault a idéia de pós humanismo q vivenciamos cada vez mais, ou seja, o individualismo burguês sendo abalado por um monte de conceitos q vem aparecendo, isto vem a detonar com a idéia burguesa de gênio e eventualmente de autoria.

Idióticamente falei para um artista curador, sobre o conceito da perda de autoria, q se encontra no - morte do autor do Barthes, e no - o que é um autor - do Foucault, ele adorou, montou ele tinha uma exposição para acontecer em 3 semanas, e o motto da exposição rapidamente se tornou a perda da autoria das obras, em benefício do trabalho de curadoria dele. O q o pó não faz com as pessoas...

Para terminar esta longa reflexão, eu diria q desconfio um bocado destes dados q me referi a cima, mas q possivelmente estamos caminhando para uma situação de totalitarismo étnico(uma etnia dominando as outras, largamente o q acontece agora, só q pior), ou para uma situação de controle de um socialismo com diferentes etnias, em ambas as situações o individualismo dança.

Por outro lado acredito q a informação qer ser livre, e os trabalhos de arte vão aparecendo, e modificando as mentes de uma forma ou de outra.

O q é o artista? É aquela pessoa q produz e mostra o trabalho com tanta frequencia q perde a vergonha do q faz, sem perder o senso crítico, tem q ser uma pessoa teimosa e persistente, a qualidade do trabalho já é outra história e é algo altamente discutível.

Circuito B? Quem falou nisto aqui? Fui eu? Ou circuito, ou não circuito.

Na verdade este tipo de escrita lúcida me desagrada demasiadamente, é muito diferente da matéria à q se refere, creio q o q lê ou está sintonizado, e le entre as linhas, ou não lê mesmo, e é assim, vide textos de alquimia. Arte didática, texto autoexplicativo, é muito chatinho.

Sobre o palhaço: Existe 2 tipos básicos de bobo da corte, os q só divertem, com as palhaçadas q tudo mundo qer ouvir, ou os palhaços do Hamlet, q encenam comicamente a própria situação de osurpação(é assim q escreve?) q ocorre no reino. Fornecendo um espelho para os dominantes.

Ufa!

Não me vem mais nada à cabeça, acho q é isto.

Para minha miséria, fui completamente honesto, o q em arte, segundo O. Wilde é um grande crime. Espero q não levem minhas opiniões muito a sério, o futuro se constrói no dia a dia, e depende das atitudes combinadas de todos, mesmo um meio individualista como o de arte ação combinada pode existir efetivamente, mesmo q por um curto periodo de tempo.

Cessa aqui a comunicação e a tentação de comunicação.

(3)

O quanto alguém pode mudar alguma coisa?

O quanto alguém sabe ou está certo, ou pode mudar um processo se não de uma forma

coletiva? Cada mensagem, cada texto, são como garrafas preenchidas com uma mensagem

de socorro, que uma pessoa lê, entende ou não, leva a sério ou não, toma atitudes ou não,

uma imensa rede, de idéias, de ideologias, de convencimento, de controle, de puro ego.

Impulsionado por um desejo de sobrevivência, o texto é sempre uma mensagem q visa uma

salvação pessoal, muito sublimada ou não, cada mensagem de paz é uma mensagem de

investimento em um futuro de lucro pessoal, de possível satisfação sexual. Convencimento,

sedução, negociação, agenciamento, tudo faz parte de um plano, um plano de estratégia, um

plano de guerra.





(1)

As mensagens q nos chegam tem uma urgência incrível:

Estamos no setor 9 e não temos água ou luz por aqui.

Setor 7, suprimentos de biscoitos já acabaram. Água também.

PESSOAL NÃO SE BANHA A DIAS.

Manter a higiene e a sanidade é cada vez mais difícil.

Preferiríamos q tudo estivesse mais calmo em nosso setor.

Mas a ansiedade nos impede, só queremos sobreviver.

Quem vai morrer primeiro, você pode escolher, sua mulher

Seu filho, ou sua mãe.

(2)

Desconfio destes trabalhos de arte que se utilizam de textos para se justificar.

Não meramente justificar, mas emprestar um conceito a um trabalho que estaria fraco, sem um conceito, uma potência própria. Assim falamos em filosofia e política para fazer crer q o trabalho é político e filosófico.

É basicamente a questão de tentar legitimar o trabalho através de um atalho externo.

(3)

O belo apelo dos gráficos, traz uma relação com Mondrian, e uma relação com não arte, com gráficos escolares, mas é pura enganação, é uma quase falácia mas não é, ou talvez não seja, é uma relação de falsa negação, de radicalidade falsa, de falsa busca por autenticidade, formas amorfas que, formas amorfas, é formas, formas arbritarias. De controle, ou descontrole, dependendo do ponto de vista. Onde não há o vento, existe um espaço imaginário, de quarks que se relacionando e formando novas matérias e formas. O q você acha disto. Por favor me ajude com isto, a etnologia do abstrato se refere a o que exatamente? Qual é o seu ser?

(1)

Está nas entrelinhas q este projeto do Gugg aqui no RJ é mais uma extensão cultural de uma espécie de imperialismo a q se costuma chamar de globalização. Parece que este projeto tem características de um pensamento reacionário e oportunista. Muitos artistas tem aderido à lista, e provavelmente com as melhores intenções, mas fica para mim a pergunta: O que não é mercantilista e reacionário no meio de arte? Não quero dizer com isso que não se deva fazer nada quanto ao problema do Gugg, q parece mais uma roda gigante de luxo com Max Ernest, Picasso e Cremaster films dentro, sem querer desmerecer estes artistas. Mostras de arte patrocinadas pelo estado e prefeitura não o seriam? É o espaço do “Cubo Branco” um espaço realmente neutro? O chamado objeto de arte não é um fetiche? Uma commoditty? O registro de uma performance, seja vídeo ou fotografia, não a insere em um catalogo, e q esta enumeração não lhe atribui um juízo de valor, q a torna, de novo valor financeiro? Será q arte para ser politicamente eficiente deve ser amadora, ou free, de grátis?

Talvez sim, a maior parte das coisas boas são de grátis.

Na verdade não estou seguro do amadorismo do artista, idealismo demais traz sérios danos à vida, idealismo está ligado à pureza e ao platonismo, talvez a pergunta q deveríamos estar fazendo é como se opor à macdonaldização de forma efetiva.

E ainda outra pergunta, por que o medo do estrangeiro? Será que muita gente está com medo de perder o espaço e o brilho em um lugar onde já existem poucos espaços? Será que não existe uma xenofobia, ou um provincionalismo aí meio escamoteado?

O que mais me aflige no projeto Gugg é a incoerência de ter vários locais na cidade, como o centro de arte H.O., o próprio MAM, o MAC de Niterói, precisando de mais verba, e no entanto esta vai para um outro espaço q só existe no papel. Não entendo esta lógica. Mas acho possível q seja a mesma lógica do mercado de arte.

A empresas privadas arrecadam muito mais que a maioria dos Estados, nesta guerra do Iraque não são os US que estão atacando o Iraque, mas lobbys de empresas e interesses econômicos e estratégicos naquela região que proporcionam tal empreitada. Esta desterritorialização forçada pelo Kapital requer um novo tipo de tática, que artistas e filósofos são talvez os grupos mais indicados para elaborar. Todo este processo de empobrecimento e de dificuldade de articulação se trata de um estágio de proletarização mundial que o Kapital está nos levando.

(2)

A identidade de uma pessoa se resume, se insere a onde, em seu código genético, em sua infância, adolescência, em sua ideologia e escolhas. A onde reside o pensamento, reside a identidade, a identidade reside junto do pensamento. Por q estamos tão egoístas, por q somos tão imediatistas, por q a gratificação precisa ser tão urgente?

(3)

É muito forte ou muito grave? Mas agora se você adora ganhar prêmios, mande o seu cupom para nós.

Você abusou ou não da sua irmã? Não nos revel agora, aguarde a mas uma palavra dos nossos patrocinadores.

A vida é uma simulação, em q tudo q passa pelas nossas lentes se torna show.

(1)

Um trabalho de arte nunca pode ser informativo, ele sempre necessita de ser dês-informativo, até para ser arte, ele necessita de buscar novos equilíbrios, dês- estabilizar antigas certezas.

(2)

A condição de um trabalho que se fecha sobre si mesmo, está constantemente abalada pelo avanço de uma situação onde artistas e pessoas ligadas a atividades midiáticas, interagem e criam situações novas que fogem de um controle totalizante, logo este equilíbrio é restituído em uma outra situação.