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Apresentação
O evento ‘IMAGENS QUE VC JAMAIS VERÀ NA TV’ é dedicado a vídeo arte e a produção de imagens digitais.
Este evento procura colocar o público do SESC em contato com arte e tecnologia, inserindo o publico no entendimento da linguagem de vídeo arte e imagem digital. Os vídeos desenvolvem questões ligadas à experimentação de sons e de musica eletrônica, servindo-se criticamente dos recursos eletrônicos hoje disponíveis, que estão em constante evolução e em processo de pleno desenvolvimento.
A proposta do evento é traçar um perfil simultaneamente abrangente e seletivo de vídeo arte nacional e internacional, com artistas dos seguintes países: USA, Japão, Turquia, Canadá, Angola, Argentina, Espanha, Itália, França, Reino Unido, Holanda, Eslovênia e Brasil. Percebe-se uma investigação das poéticas em construção, desenvolvidas a partir de uma dialética do local e universal.
A curadoria tem um enfoque múltiplo porque tenta abarcar diversas correntes e enfoques possíveis de vídeo arte alem de imagens digitais, considerando o deslocamento geográfico como mais um fator dessa dialética.
A proposta é de exposição e interação de vídeos e produtos digitais que operam em diversos contextos: etnológico, social e geográfico. Estes vídeos funcionam quase como tratados nesses assuntos citados, eles são recortes vivos do contemporâneo.
Este esforço representa parte do trabalho desenvolvido por Carlo Sansolo e Érika Fraenkel. O esforço de trocar trabalhos de vídeo arte com outros artistas e locais de exibição, estabelecendo uma rede de trocas, que tem por objetivo a interrogação. O que acontece lá no lugar onde não estou? O que pensam lá? O que vão pensar quando meu trabalho lá chegar. Há solidariedade? Existe interesse mutuo? Essa mostra é um recorte dessas interrogações, e é uma resposta que levanta outras interrogações. Separamos parte do creme dessas trocas para que sirva como uma demonstração do que se passa no mundo contemporâneo.
Carlo Sansolo
Estudo crítico - vídeos internacionais.
Linguagens arbitrárias se desenvolvem em diferentes territórios.
É uma difícil tarefa tentar mapear a vídeo arte internacional através de territórios e locais. Aliás, qualquer mapeamento é difícil, seja por temas, estéticas, ou autores, já que uma imagem fiel e aproximada que englobasse tudo demandaria uma exibição de muitas horas e dias e cairia nos problemas da demarcação crítica.
Artistas angolanos vivendo em Amsterdã, um argentino na Alemanha, uma holandesa na Austrália são alguns exemplos de como este deslocamento geográfico não deve ser ignorado e pode ser fecundo, e ao contrariar todo mapeamento linear revela algo profundamente contemporâneo; a des-territorialização da arte é um sintoma da fluidez da economia contemporânea e da rapidez de comunicação; a internet como uma ferramenta ativa na troca de impressões, idéias e arte digital.
Os vídeos japoneses selecionados levantam um caráter político de interrogação e provocação sobre os destinos da pós-modernidade, refletindo até que ponto há liberdade ou controle.
Os vídeos do sueco Tobias Anderson fazem versões e paródias dos principais clássicos e personagens de Hitchcock. Estamos também apresentando uma série de trabalhos poéticos em que a imagem possui valor pictórico ou fotográfico, como no trabalho de Kelly Richardson (Canadá), Barry Anderson (USA), Lasse Raa (Nor), Arthur Liou (Tai). Há vídeos que exploram a capacidade abstrata de programas de computação gráfica, como os dois vídeos de Dennis Miller (USA) e Julio Soto (Esp). Vídeos usando a alegoria como uma estratégia também são representativos, como o vídeo do turco Genco Gulan, que questiona jogo de poder da mídia através de um jogo de rugby dentro de uma piscina freqüentada por mulheres. Encontramos vídeos que falam de minorias, como Smile de Harold Offeh (GBR), ou Placebo de Miguel Petchkovsky de Angola, onde a relação entre religião e colonialismo é examinada brevemente; ou questões do feminino, como nos vídeos de Natascha Ampunant (Ale), ou na subjetividade e sua existência digital da turca Seyda Asal. A paródia é muito explorada no contexto da política internacional, como no vídeo de Pascal Lievre em Eixo do Mal, em que todo o famoso discurso de G. W. Bush é transformado em uma canção de amor de um casal de férias: a paranóia se transforma em opera bufa.
Mais do que um caminho determinado, a arte digital abre diferentes possibilidades de pesquisa. Nós estamos ainda no começo da exploração de diferentes elaborações formais, com vários percursos que se distanciam ou se aproximam, por vezes se bifurcam, possibilitando novos modos e formas de explorações estéticas e novas chances de pensar o mundo.
Carlo Sansolo
Vídeo - Artistas brasileiros
Dentro de mais uma mostra laisle.com, apresentamos 10 artistas brasileiros, de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Amazonas.
O vídeo de Lucas Bambozzi, em Aqui de novo, desenvolve uma estética rebuscada, assimilando procedimentos do cinema e do videoclip, brinca com a temporalidade do vídeo e apresenta freqüentemente imagens a partir de um foco indireto, além de trazer o universo verbal da poesia. Percebe-se um gosto pela alusão indeterminada, elaborada através de técnicas de fragmentação, dispersão e variação constante na performance da imagem.
Em outro vídeo, feito na Tailândia, que consideramos sóbrio e enxuto, expõe-se semblantes de torcedores, mas não da luta ou do jogo que motiva as reações filmadas. O foco da câmera se dá enquanto olhar do estrangeiro, que expia o entusiasmo dos rostos diante de um ritual de luta.
Wagner Moralles (SP) reproduz a estética de Tarkovisky, trazendo referências do roteiro ao reproduzir o áudio. Mas descontextualiza essas referencias. Ele se distancia conceitualmente de Tarkovisky, ainda que fazendo uma reverência, criando com esse distanciamento um estranhamento da linguagem elaborada, propositalmente decalcada do famoso diretor.
André sheik (RJ) explora em seus dois vídeos sua própria imagem em lugares e circunstâncias distintas, numa se expondo com a iluminação de vigilância dos condomínios, e na outra revelando esse minúsculo universo de um grão de areia, como o universo solitário de um ateliê.
Fernando de La Rocque (RJ) explora a questão do sublime e do efêmero, mostrando a dispersão desse momento sublime onde a fumaça se eleva e se desfaz, mas fica eternizada pelo vídeo e valorizada como arte.
Raquel Castro (RJ) em seus dois vídeos, foca a temporalidade do urbano em sua aceleração. Além de explorar a geografia da cidade, faz referências à linguagem de Copolla, e na belíssima Cenas Urbanas, podemos contemplar e mapear a cidade.
Simone Michelin (RJ) opõe questões em seu vídeo sobre tragédia e comemoração, terrorismo e romantismo, questões coletivas e individuais, conversando com dados históricos.
O vídeo 7 lindos pratos, Érika Fraenkel (RJ) traz dúvidas sobre a singularidade da linguagem no trabalho de arte, questionando a potencialidade da existência de assinaturas, e revela a diluição do que é útil e belo, como critica de consumo e catarse.
No vídeo Apart-Cisne, ocorre uma sigizia (união) e uma mudança de identidade, num encontro inesperado.
Nos vídeos de Carlo Sansolo (RJ) o universo virtual é explorado, criando imagens em 3d e transformando essas imagens em objeto-vídeo. Nos textos se discute filosofia e a desconstrução da imagem no seu próprio processo.
Joacélio Seven (MG), neste vídeo surpreendente, faz referência ao não-lugar, coloca a imagem de um homem sentado no centro do vídeo, trocando simultaneamente a cor da camisa, atravessando os espaços porém sempre mantendo a mesma localização da tela, sendo, com isso, atravessado pelo mundo em mutação, numa condição vulnerável e inconstante, criando um código muito particular.
Alberto Saraiva (AM) insere as letras, representando visualmente palavras, mas dilui a própria linguagem, literalmente, por meio de uma reação química, ligado à proposta de uma poesia visual e criando uma contemplação de um acontecimento artificial.
Érika Fraenkel
Eduardo Guerreiro
Imagem digital laisle.com
Estamos apresentando 10 artistas, sendo 5 do rio de janeiro , 1 de minas gerais, 1 de São Paulo, Singapura (Ásia) , Holanda (Europa) , e Itália (Europa), cada qual com sua trajetória distinta.
A imagem digital vem sendo mais explorada pela mídia e arte, a partir da década de 90, havendo maior contaminação dessa tecnologia. Na mídia, a imagem sempre possui um roteiro de significação uma legenda por meio da qual é fixada ou direcionada um sentido unívoco.
Na arte existe uma inquietação e uma não-acomodação do artista, que opera com os significantes, libera-os de forma imediata. Ao interrogar questões de consumo e noticia como utilidade da imagem, no sentido de ser um veiculo de informação e registro histórico, na arte ocorre a liberação do significante como a criação de um outro espaço de recepção da imagem, recriando referências, descontextualizando, gerando dúvidas, simulações da realidade, relações com a política, ou simplesmente lúdicas. Também há a retomada crítica de diferentes temporalidades e o desgaste de ícones do passado, assim como das utopias. Essas imagens adquirem uma outra extensão, como espectros tanto ruína do modernismo quanto da própria banalização midiática.
Na mostra procuramos apresentar a diversidade das linguagens, e colocamos a fresta de observação do artista, cada qual com seu universo distinto, expiando as mais variadas paisagens sociais, coletivas ou individuais, do nosso tempo.
O trabalho de Frederico Dalton (RJ), explora o ambiente da praia, e simula um movimento criado digitalmente, como colagem, cujo título seria pouso e levitação, já Franz Manata (MG) explora a criação digital de uma bandeira, que revela a necessidade de expandir novos territórios e conquistas políticas, mesmo dentro dos territórios existentes em arte.
Clarisse Tarran (RJ) aborda o limite do que é aparência e realidade em imagem se utilizando de ícones existentes na técnica de gravura do buril, que revela personagens do passado.
Edifício Galaxi (RJ) enfatizará uma imagem que traz um importante acontecimento histórico, referente ao nosso universo contemporâneo, apenas fazendo referencia .
Érika Fraenkel (RJ) se utiliza de slides da década de 40, inserindo formas gráficas e cor, mudando assim o contexto da leitura na informação histórica da imagem.
Mauro Espíndola (RJ) traz a paródia como questão na imagem, produzindo relações com a mídia e com a ficção cientifica, misturando diferentes signos temporais, onde o passado é citado, mas aponta para o futuro dos problemas da bio-tecnologia .
Andréa Tavares (SP) revela uma singela paisagem cotidiana como forma lúdica.
Gozde Zender (Singapura) recorta objetos que são verdadeiros ícones na Ásia, revelando costumes e tradição.
Irene Hanenberg (Holanda), em seu desenho digital, faz relações com o surrealismo e com o mito.
Carlo Fatigoni (Itália), em sua bela paisagem digital, com a interferência de uma marca numérica, causa estranhamento na utilização da imagem, acentuando o caráter artificial como simulacro de uma paisagem.
Érika Fraenkel
Eduardo Guerreiro
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